quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Crônica



Festa de Família em Tempo de Eleições

Não é de hoje que os dias que aproximam a eleição trazem consigo uma enxurrada de polêmicas que inflamam as rodas de conversa. Às vezes, você já vai preparado a uma festa para aquele momento. Aquele em que alguém se aproxima, como quem só quer pedir um isqueiro, e acaba levando você e seus amigos e familiares para essa temática. Esta é a diferença entre quem pede isqueiro quem pede fogo.

Geralmente isso acontece quando todos já estão pra lá de Bagdá, mas os sobreviventes rapidamente se posicionam para a guerra de argumentos. Dá até para ver pela expressão que estão reunindo informações para explodir numa feira.

Foi no meio da gritaria que uma voz se destacou. Uma senhora, típica nona, bradando: “votei nos Tucanos porque mulheres servem para muita coisa, mas os cargos de governador e presidente precisam ser exercidos por homens e o Bolsa Família devia se chamar Bolsa Bandido.
Indignação tolerante se apossou de mim; “ela já é uma senhora, viveu em tempos obscuros... Espero que ninguém brigue com ela, aposto que apenas vão rir e ignorá-la”.  Para a minha surpresa outras mulheres e até jovens se uniram a sua volta para concordar e defender suas opiniões. O cenário se recortou em diversidade conflitante, surgiu gente proclamando projetos que seriam a solução do país, como criar um aerotrem que leve os gays direto para uma clínica no Acre onde poderiam tratar seu problema.

No fim sobrou apenas a triste conclusão: Ninguém, com exceção do admirador de Fidelix, conhecia o nome dos candidatos que não lideravam as pesquisas de intenção. Para o brasileiro é ridículo perder tempo conhecendo as propostas de quem não tem chance de ganhar. Se essa crônica tivesse graça eu diria que é rir para não chorar, mas não tenho talento para o humor então só me resta o suicídio ou o exílio, visto que sou uma minoria que vai começar a ser combatida pelos 14% da bancada evangélica.

Para quem não gosta de crônica que não faz rir, deixo um lembrete: O dono do slogan “rouba mas faz!” recebeu 250 mil votos mesmo sem a certeza de que poderá assumir devido a Lei da Ficha Limpa.
 

 

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